O que é a disparidade de gêneros no orgasmo – e o que podemos fazer a respeito

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Já sabemos que a sociedade não recompensa homens e mulheres de forma igualitária por seus esforços (as britânicas ganham, em média, 82 centavos para cada libra paga aos homens).

Mas a desigualdade não acaba no trabalho – ela também está no quarto, na forma de disparidade de gêneros do orgasmo.

Assim como seu equivalente financeiro, essa disparidade se refere à compensação inferior recebida pelas mulheres pelo mesmo trabalho realizado: para cada relação sexual, os homens atingem o orgasmo 87% das vezes, enquanto as mulheres ficam em 65%.

Enquanto na questão dos salários a culpa recai sobre a falta de ambição, obrigações com os filhos e empregos que pagam menos, que explicação poderia existir para essa diferença de 22 pontos percentuais quando o assunto é orgasmo?

É importante notar que o índice de orgasmos também é diferente de acordo com sua sexualidade. Os homens heterossexuais têm orgasmos mais regularmente, seguidos pelos homens gays, homens bissexuais, lésbicas, mulheres bissexuais e finalmente as mulheres heterossexuais.

É importante notar que o índice de orgasmos também é diferente de acordo com sua sexualidade.

Qual é a explicação?

Lisa Williams, co-autora de More Orgasms Please: Why Female Pleasure Matters (Mais orgasmos por favor: por que o prazer feminino é importante, em tradução livre), diz que esses dados indicam um problema específico da interação entre homens e mulheres – um problema que tem impacto desproporcional sobre as mulheres bi e hétero.

Certamente não tem a ver com a nossa anatomia, afirma Williams, que afirma que as mulheres são capazes de atingir o orgasmo tão rapidamente quanto os homens quando se masturbam. “Pode demorar só quatro minutos para uma mulher, que é o mesmo dos homens, mas a percepção é que essa demora será de 40 minutos numa relação sexual.”

As mulheres aprendem a não falar de suas necessidades, a não serem difíceis ou exigentes…Lisa Williams, The Hotbed Collective

Muitas mulheres de fato demoram mais para atingir o clímax durante a transa. Williams diz que isso tem três explicações: sensações de vergonha, questões de imagem corporal e falta de conhecimento do próprio corpo.

“As mulheres aprendem a não falar de suas necessidades, a não ser difíceis ou exigentes, a não se mostrar e a não ser sexuais. Aí, quando crescemos e estamos no quarto, isso obviamente terá impacto”, afirma ela.

“A outra coisa é a imagem corporal – as mulheres são muito inseguras. Elas podem gostar de parte de seus corpos, mas não de outras. Até mesmo na cama, elas ainda estão pensando no próprio corpo – como eu fico neste ângulo? Será que meus peitos estão caídos? Será que ele está olhando para minhas estrias?”

Williams diz que existem provas científicas de que esse tipo de pensamento dificulta o orgasmo, porque você está focada demais nas preocupações – e menos no momento presente. 

Outro problema é a falta de conhecimento do próprio corpo, em parte por causa do estigma da masturbação, em parte por falta de educação sexual, o que tem impacto para os dois gêneros. Mas, para as mulheres, a masturbação não é o mesmo rito de passagem.

“Os homens fazem isso todos os dias, mas as mulheres, não”, diz Williams. “Estatísticas do Eve Appeal [uma ONG que trabalha com câncer ginecológico] revelam que muitas mulheres acham que vagina e vulva são a mesma coisa, que elas urinam e menstruam pelo mesmo buraco. Se estamos falando desse nível de conhecimento do corpo, como vamos saber o que nos dá prazer?”

Como avançar

As mulheres precisam conhecer melhor seus próprios corpos e o que lhes dá prazer, diz Williams. Isso pode incluir brinquedos. Aí, na hora da transa, elas podem dizer ao parceiro o que preferem.

“Não se preocupe em parecer exigente. As mulheres são condicionadas a se sentir assim”, diz ela. É claro que ninguém deveria se sentir obrigado a atingir o orgasmo – muita gente tem ótimas experiências sem chegar lá ―, e de fato existem pessoas anorgásmicas (incapazes de ter orgasmo).

Mas é uma pena que tantas mulheres não estejam aproveitando tanto o sexo quanto poderiam. “Não é a disparidade mais importante do mundo para as mulheres, mas é uma pena. Especialmente porque não é uma diferença tão difícil de eliminar. Basicamente depende de as mulheres se colocarem em primeiro lugar”, afirma ela.

“Biologicamente, a experiência do orgasmo é muito parecida para homens e mulheres, mas você não ouve os homens dizendo que não precisam gozar. Então parece estranho que as mulheres aceitem isso.”

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.

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