Início da Parada do Orgulho LGBT reúne casais, crianças e até cachorros na Paulista

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MIGUEL SCHINCARIOL via Getty Images

Por volta de 9h da manhã no metrô, enquanto alguns ainda esfregavam os olhos, a animação de um grupo envolto em bandeiras coloridas já avisava que esse não seria um domingo qualquer em São Paulo.

As estações da linha verde, que levam à Avenida Paulista e à 23ª edição da Parada do Orgulho LGBT, eram aos poucos tomadas por cantorias, selfies e pelos últimos detalhes da “montação” para o evento.

No encontro da Avenida Paulista com a Rua Augusta, marcas patrocinadoras distribuíam brindes e partidos políticos entregavam panfletos contando um pouco sobre a história do movimento LGBT+, que em 2019 comemora os 50 anos da revolta de Stonewall, em Nova York, um marco inicial do orgulho.

Grupos mais jovens caminhavam de lá para cá procurando música e bebidas – que ainda não estavam disponíveis -, enquanto grupos de participantes mais velhos se reuniam em rodinhas falando principalmente sobre a situação política.

Victor Gouvêa/ Especial para o HuffPost Brasil“Acho que esse ano é mais importante estar presente para mostrar força”, diz Wanderley Sanches, que frequenta a Parada desde a primeira edição com o marido Mario Viana.

Mario Viana, 58, e Wanderley Sanches, 64, juntos desde 1982, frequentam o evento desde a primeira edição, e aproveitaram para vir cedo e encontrar amigos.

“Começou a encher demais e dar uma certa preguiça”, brinca Mario. “Mas acho que esse ano é mais importante estar presente para mostrar força. Nós não estamos mortos”, diz Wanderley. “A regressão é mundial, e no Brasil ganha contornos de violência gratuita. Tem que ser resistente: é paz, amor e resistência.”

Grupos de policiais e seguranças privados se distribuíam pela avenida e recebiam as últimas instruções de atuação. Apoiadores do ex-presidente Lula (PT) se concentravam em frente ao Masp com bandeiras das cores do movimento trans e puxavam gritos de “Lula Livre”.

Victor Gouvêa/ Especial para o HuffPost BrasilEm frente ao Masp, apoiadores do ex-presidente Lula (PT) estenderam uma faixa pedindo “Lula livre”.

Passeando sorridente com o filho Theo, de 1 ano e 7 meses, o casal paulistano Daiane e Marcos, que preferiu não dar o sobrenome, distribuía sorrisos e cativava os passantes. “A gente tenta criar nosso filho de um modo que ele leve tudo isso com naturalidade, que não seja impactante para ele”, diz Marcos.

Eles se declaram em um relacionamento monogâmico e heterossexual, mas “não teriam problemas em experimentar se estivéssemos solteiros”, afirma Daiane.

Victor Gouvêa/ Especial para o HuffPost BrasilMarcos e Daiane levaram o filho Theo, de 1 ano e 7 meses: “A gente tenta criar nosso filho de um modo que ele leve tudo isso com naturalidade”.

Mas não foram só eles que receberam atenção logo cedo. Branca Luz e Bella Donna, duas cachorrinhas da paraense Fernanda Feliz, 63, também foram a sensação.

“Vim ver essa diversidade, sou super a favor [da causa], meus melhores amigos são gays”, diz, contando que organizou tudo há dias e estava ansiosa em participar da primeira edição que pôde acompanhar em São Paulo, onde mora há apenas 3 meses.

Victor Gouvêa/ Especial para o HuffPost BrasilA paraense Fernanda Feliz levou as cachorrinhas Branca Luz e Bella Donna para curtirem a Parada.

“Minha vontade é apoiar principalmente os que são agredidos. É uma alegria imensa estar aqui”, diz.

Os imensos trios elétricos começaram a ligar as caixas de som por volta das 12h, e a Avenida já se enchia em uma velocidade impressionante. A Parada começou.

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