Ted Bundy, crimes reais e o que está por trás das mulheres obcecadas por serial killers

0
21

NetflixZac Efron interpreta o serial killer Ted Bundy.

A Netflix foi alvo de muitas críticas em janeiro depois de lançar o trailer de Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile (Extremamente Cruel, Chocantemente Perverso e Depravado, em tradução livre), cinebiografia do assassino em série Ted Bundy, interpretado por Zac Effron. Na época, os críticos afirmaram que o thriller só serviria para romantizar a vida do notório assassino e estuprador americano.

Mas esse fenômeno não se observa só nas telas.

Há muito tempo certas mulheres ficam fascinadas com assassinos famosos, e isso continua acontecendo até hoje. É só olhar para as cartas de amor enviadas a Chris Watts, condenado por matar a mulher e as filhas.

Apesar de não necessariamente nova, essa atração por serial killers continua sendo um fenômeno pouco estudado.

Sheila Isenberg, autora de Women Who Love Men Who Kill (Mulheres Que Amam Homens que Matam, em tradução livre), realizou uma das principais pesquisas sobre o tema – há 30 anos. O livro é até hoje uma das descrições mais vívidas do que se passa na cabeça dessas mulheres.

“A maioria delas tinha emprego, algumas tinham famílias”, explicou Isenberg. “Uma delas tinha doutorado e era professora universitária.”

Muitas das entrevistadas por Isenberg eram inteligentes e amigáveis. O que as diferenciava eram suas histórias e aspectos psíquicos. “Todas tinham sido vítimas de abuso no passado”, afirmou a pesquisadora. 

Ao se envolver com os presidiários, elas essencialmente estavam retomando o controle dos relacionamentos. Ditavam quando aconteceriam as visitas. Colocavam dinheiro na conta dos presos, para que eles pudessem fazer compras na cafeteria da penitenciária. O assassino se tornava dependente delas, aparentemente invertendo a dinâmica de poder.

Mas existem outros fatores que têm influência sobre essas mulheres?

Isenberg acredita que os mesmos elementos que as levam a procurar assassinos na cadeia são responsáveis pela inclinação de muitas mulheres a gostar de histórias de crimes reais. Em seu próximo livro, Mad, Bad and Dangerous: Women’s Fascination With Crime and Outlaws (Loucos, Maus e Perigosos: O Fascínio das Mulheres com o Crime e Com os Fora-da-lei, em tradução livre), ela explora esses fatores.

SuperStock via Getty ImagesO americano clássico gosta do caubói herói fora-da-ei.

Isenberg diz que essas mulheres não são loucas. Quando Hollywood romantiza a violência – como no filme da Netflix sobre Ted Bundy ―, cria-se um incentivo para o fascínio das mulheres pelos assassinos.

Além disso, os Estados Unidos sempre amaram os fora-da-lei.

“Os Estados Unidos são um país fundado no Velho Oeste. O caubói é um homem alto, magro e durão, que conquista as novas fronteiras com revólveres na cintura. Essa é a nossa história. O caubói como herói fora-da-lei”, afirma Isenberg.

Nos anos 1920, os jornais americanos cobriam obsessivamente figuras como os gângsteres John Dillinger, Pretty Boy Floyd e Legs Diamond. Nossa cultura “transformou esses personagens em heróis”, diz a pesquisadora.

As redes sociais e os reality shows são a causa moderna desse fascínio por parte das mulheres, segundo Isenberg. Esses assassinos ficam conhecidos graças às manchetes sensacionalistas, que lhes conferem notoriedade. E algumas dessas mulheres se apaixonam por eles em busca de seus 15 minutos de fama.

“Essas mulheres não são loucas”, ressalta Isenberg. “[Enviar cartas para serial killers] preenche algum tipo de necessidade… Uma das necessidades mais básicas do ser humano é ser conhecido, ter algum tipo de reconhecimento. Que pessoa famosa com certeza responderia a uma carta sua? Um assassino na cadeia. Eles vão te responder.”

* Este texto foi publicado originalmente no HuffPost US e traduzido do inglês.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui