Declarações de Olavo de Carvalho ‘não contribuem’ com governo, diz Bolsonaro

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O imbróglio envolvendo o guru da direita brasileira Olavo de Carvalho, os militares e a família Bolsonaro ganhou na noite desta segunda-feira (22) um novo capítulo.

Depois que um vídeo de Olavo criticando os militares foi postado e depois apagado da conta oficial do presidente, Jair Bolsonaro disse, por meio de nota lida pelo porta-voz, general Otávio Rêgo Barros, que as recentes declarações do guru “não contribuem” com o governo. 

“Suas recentes declarações contra integrantes dos poderes da República não contribuem para a unicidade de esforços e consequente atingimento de objetivos propostos em nosso projeto de governo”, diz Bolsonaro no texto.

Suas recentes declarações [de Olavo] contra integrantes dos poderes da República não contribuem para a unicidade de esforços e consequente atingimento de objetivos propostos em nosso projeto de governoJair Bolsonaro, presidente

A nota fala, no entanto, que o presidente “tem convicção de que o professor, com seu espírito patriótico, está tentando contribuir com a mudança e com o futuro do Brasil”. 

No vídeo, que foi apagado da conta oficial do presidente, Olavo afirma que a última contribuição das escolas militares para a alta cultura nacional foram as obras do Euclides da Cunha. “Depois de então foi só cabelo pintado e voz empostada. Cagada, cagada. Esse pessoal subiu ao poder em 1964, destruiu os políticos de direita e sobrou o quê? Os comunistas”, diz.

O vídeo também foi postado pelo filho do presidente Carlos Bolsonaro. O tuíte continua na conta do vereador, mas o vídeo foi removido do link.

Nesta segunda, mais cedo, o vice-presidente, general Hamilton Mourão – que constantemente é alvo da ira do guru – respondeu às críticas aos militares, dizendo que “Olavo deve se limitar à função que desempenha bem, de astrólogo”

“Em relação ao Olavo de Carvalho, mostra o total desconhecimento dele de como funciona o ensino militar. Acho até bom a gente convidar ele para ir nas nossas escolas e conhecer. E acho que ele, Olavo de Carvalho, deve se limitar à função que ele desempenha bem, que é de astrólogo. Pode continuar a prever as coisas que ele é bom nisso”, declarou. 

Mourão disse ainda que Olavo “perdeu o timing” e não está entendendo o que está acontecendo no Brasil. “Até porque ele mora nos Estados Unidos e não está apoiando o governo, não está sendo bom para o governo”, afirmou o vice-presidente.

Ao ser chamado de “astrólogo”, Olavo de Carvalho respondeu ao vice e o chamou de “adolescente desqualificado para qualquer debate sério”.

“O Mourão deveria se limitar à única função que desempenha bem, de modelo. Se o presidente tem a humildade suficiente para reconhecer a dívida que tem para comigo, seus inferiores não deveriam se expor ao ridículo de fingir que não me devem nada”, escreveu em suas contas nas redes sociais, acrescentando ainda que o vice-presidente “não tem capacidade” para julgar sua “obra”.

Em seguida, Carlos Bolsonaro também foi às redes sociais defender o escritor. O filho do presidente, que controla as contas do pai no Twitter e Facebook, afirmou que Olavo de Carvalho ”é uma gigantesca referência do que vem acontecendo há tempos no Brasil”.

“Desprezar isso só tem três motivos: total desconhecimento, se lixando para os reais problemas do Brasil ou acha que o mundo gira em torno de seu umbigo por motivos que prefiro que reflitam”, escreveu o filho do presidente.

Essa não é a primeira vez que Olavo de Carvalho ataca os militares mais próximos do Planalto. Em março deste ano, o auto-intitulado filósofo chamou o vice-presidente de “idiota” e que Bolsonaro está cercado de traidores.

No início deste mês, atacou o ministro da Secretaria de Governo, general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, em uma série de tuítes, e chegou a dizer que o ministro “não presta”.

Em nenhum dos casos Bolsonaro saiu em defesa de seus auxiliares.

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