Esta mulher deu à luz a própria neta em ‘barriga solidária’ para filho gay

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Ariel Panowicz FotografiaPor meio de Cecile, seu filho, Matthew, e o marido dele, Elliot, se tornaram pais.

Cecile Eledge, norte-americana de 61 anos e moradora de Nebraska, deu à luz na última semana a sua própria neta. A pequena, que foi batizada de Uma Louise nasceu da “barriga solidária” a que ela se submeteu para realizar o sonho de seu filho, Matthew Eledge, 32 e de seu marido Elliott Dougherty, 29.

E tudo começou como uma “piada”. Segundo o The New York Post, o casal tinha o desejo de ter um bebê, mas enfrentava uma série de dificuldades em procedimentos de inseminação artificial ou adoção não detalhadas por eles.

Quando Cecile afirmou que poderia gerar a criança voluntariamente, eles não acreditaram. “Não houve momento de hesitação da minha parte. Foi um instinto natural. Eu disse ‘se quiserem que eu seja a gestante, farei isso na hora’”, contou Cecile à KETV-News, um canal televisivo local.

Eles economizaram durante anos para realizar o procedimento e estimam que todos os gastos ― entre gastos médicos, exames, fertilização in vitro e até o momento do parto ― ficou em U$ 40 mil (cerca de R$ 160 mil).

Ariel Panowicz FotografiaMatthew Eledge e seu marido Elliott Dougherty no momento em que viram “Uma Louise” pela primeira vez.

Depois de muitos exames e discussões sobre o tema, médicos da Universidade de Nebraska afirmaram que o procedimento poderia ser feito, mas alertaram que, por causa da idade avançada de Cecile, as chances de complicações ao longo da gestação eram grandes e o parto provavelmente seria por cesariana.

Para que o procedimento fosse realizado, a irmã de Elliott, Lea Yribe, concordou em doar seus óvulos. O esperma doador é de Matthew. Após terem sido fecundados, os óvulos foram, então, inseminados em Cecile.

Em entrevista ao HuffPost US, Matthew disse que precisou se esforçar para explicar a situação às pessoas. Ele, seu marido e a família como um todo receberam comentários tanto elogiosos quanto ofensivos durante o processo.

″Às vezes, pessoas realmente inteligentes ouvem essa história e acham que é um incesto”, disse. “Recebemos perguntas realmente honestas de pessoas realmente inteligentes como: ‘Você está com medo das anomalias genéticas?’ É uma boa pergunta, é uma situação única, mas acho que é mais fácil soletrar em termos leigos: minha mãe era simplesmente a gestora”, completou.

O caso desta família de Nebraska traz à tona os dilemas éticos e as polêmicas que circulam entre a escolha pelas chamadas “barrigas de aluguel” ou “gravidez por substituição” por casais homoafetivos, ao invés da adoção.

Ariel Panowicz FotografiaA família estava reunida na sala de parto quando Uma Loise nasceu.

Contrariando expectativas, a gestação correu tranquilamente. Segundo o NYP, Cecile, que já é mãe duas vezes, apenas se sentiu mais enjoada do que nas outras gestações. O parto, realizado no dia 25 de março, foi normal. O bebê nasceu prematuro, com cerca de 2,5 Kg.

O parto foi registrado pela fotógrafa Ariel Panowicz, que publicou imagens em sua conta de Instagram. “Gestada por sua avó, criada por dois pais e uma tia amorosa, Uma está cercada por uma quantidade imensa de amor. Fazer parte disso foi incrível. Cecile, você é uma guerreira”, escreveu na rede social.

“Quando você é um homem gay casado e quer ter filhos, você abraça o fato de que vai ter que criar uma família de forma especial. Existem formas criativas e únicas de construir uma família”, disse Matthew em texto publicado em seu Instagram. “Nós somos gratos porque todo o processo correu bem.”

“Estamos muito felizes que Uma e sua avó estão aqui, felizes e saudáveis. Toda a equipe, dos médicos aos enfermeiros, passando pelos técnicos de laboratório demonstraram um equilíbrio muito bonito entre profissionalismo e compaixão. Agora nós vamos apenas relaxar e curtir esse momento”, completou.

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