Ao lado de Trump, Bolsonaro não descarta solução militar para a Venezuela

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ASSOCIATED PRESSBolsonaro a Trump: “Sempre fui um grande admirador dos EUA e essa admiração aumentou com a chegada de vossa excelência à presidência”.

Após almoço na Casa Branca com o presidente dos Estados Unidos Donald Trump, o presidente Jair Bolsonaro deixou em aberto a possibilidade de o Brasil apoiar uma solução militar para a Venezuela.

Questionado sobre a possibilidade de dar aval a uma intervenção militar no país vizinho, Bolsonaro afirmou que “tem certas questões que se você divulgar deixam de ser estratégicas”.

“É uma questão de estratégia. Tudo que tratarmos aqui será honrado, mas infelizmente certas informações, se por ventura vierem à mesa, não podem ser tratadas em debate público”, disse.

Ele acrescentou que um de seus maiores interesses é em restabelecer a democracia na Venezuela. Tanto Bolsonaro quanto Trump insistiram em falar sobre o estado em que o país se encontra.

“Estamos vendo pobreza, falta de comida, energia. Isso deve acontecer de novo porque a situação é muito triste”, afirmou Trump.

Segundo o presidente dos EUA, não foram impostas sanções mais duras à Venezuela. “Podemos ser mais duro se quisermos, mas é muito triste. Não queremos nada, além de cuidar de quem está passando fome.”

Trump ainda considerou Bolsonaro “um líder extraordinário, apoiando o povo da Venezuela e seus esforços para a apoiar a liberdade”.

Ele declarou ainda apoio aos povos de Cuba e Nicarágua e emendou: “Chegou a hora final do socialismo no nosso hemisfério, a última coisa que nós queremos nos EUA é socialismo”.

Chegou a hora final do socialismo no nosso hemisfério.Donald Trump, presidente dos EUA

Já Bolsonaro considerou que há “uma coisa terrível” acontecendo no país vizinho e disse que é preciso “somar esforços para colocar um ponto final nessa situação que é ultrajante para o Brasil todo”. 

Aceno à intervenção?

É a primeira vez em que o Brasil não se posiciona enfaticamente contra a possibilidade de uma intervenção militar na Venezuela.

Em nota, a coordenadora de projetos da ONG Conectas, Camila Asano, destacou que na segunda (18) o porta-voz do governo reiterou que o Brasil não apoia a ação militar.

″É grave quando o chefe de Estado brasileiro omite a posição oficial do país embora ela já seja pública só porque está diante de um mandatário de um país potência como os EUA. Se a preocupação é com o povo da Venezuela, a solução militar deve ser descartada por seus efeitos nefastos.”

ASSOCIATED PRESSEm encontro, Bolsonaro e Trump destacaram situação da Venezuela. 

OCDE e Otan

Entre os resultados práticos para a economia brasileira estão os apoios declarados de Trump à concessão do título de “aliado preferencial fora da Otan”, que dá acesso especial a políticas de cooperação, transferência de tecnologia e recursos na área de defesa, e à entrada do Brasil OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). É de interesse do Brasil o apoio dos Estados Unidos para fomentar a economia.

 “Esse é o caminho certo para que o Brasil consiga uma economia mais forte”, disse.

Trump ressaltou que está finalizando acordo de salvaguarda tecnológica para permitir que os EUA usem a base de Alcântara para lançamento de míssel e foguetes. “Economizaremos muito dinheiro. Para quem não sabe, os voos são muito mais curtos. Meu governo está determinado a reviver o legado americano no espaço.”

Em contrapartida, Bolsonaro afirmou que terá compromisso com as contas públicas brasileiras e defendeu a decisão unilateral de dispensar os turistas dos Estados Unidos de visto para entrar no Brasil. Segundo ele, a medida fomentará o turismo.

Gentilezas

Bolsonaro afirmou que apoia a reeleição de Trump em 2020 e que respeitará o resultado das urnas. “Sempre fui um grande admirador dos EUA e essa admiração aumentou com a chegada de vossa excelência à presidência”, disse à Trump.

Já o presidente dos Estados Unidos elogiou a presença do filho de Bolsonaro no encontro. Em direção a Eduardo Bolsonaro, Trump disse que gostaria de levantar o trabalho que ele tem feito: “É fantástico e sei que seu pai gosta muito”.

Questionado sobre as relações com a China, o presidente do Brasil afirmou que “continuará fazendo negócios com o maior número de países possível, mas esse comercio não será mais direcionado pelo viés ideológico como era feito”. 

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