Mangueira é campeã do Carnaval 2019 do Rio

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Getty ImagesA viúva da vereadora Marielle Franco, Mônica Benício, em desfile da Mangueira na Sapucaí.

A Mangueira é a grande campeã do Carnaval 2019 do Rio de Janeiro. A escola confirmou o favoritismo na apuração desta quarta-feira (6), na Marquês de Sapucaí. As escolas Imperatriz Leopoldinense e a Império Serrano foram rebaixadas para a Série A do Carnaval do Rio.

A escola verde e rosa disputou ponto a ponto com a Viradouro nos três primeiros quesito. A partir do quarto (Alegorias e Adereços), no entanto, a Mangueira assumiu a liderança, conquistando nota máxima em quase todos os demais quesitos até o final da apuração.

A Viradouro, que voltou ao Grupo Especial após três anos, ficou em 2º lugar. Mesmo penalizada em 0,1 ponto no resultado final por ter estourado o tempo na Sapucaí, a Vila Isabel ficou em 3º. Veja a classificação total das escolas:

Este é o 20º título da Mangueira. Com a vitória em 2019, a escola diminuiu a distância entre a Portela, a maior campeã do Carnaval do Rio, com 22 vitórias.

Em entrevista à Globonews logo após a apuração, o carnavalesco Leandro Vieira, da Mangueira, confirmou que o enredo da agremiação, Histórias Para Ninar Gente Grande, é um “recado político”.

″É um recado político para o País todo que tem que entender que isso aqui é importante. É um recado político também para o presidente [Jair Bolsonaro] pra mostrar que o Carnaval é a festa do povo. O Carnaval é cultura popular”, disse.

“O Carnaval não é o que ele acha que é. O Carnaval é isso. E ele deveria mostrar para o mundo o Carnaval da Mangueira, o Carnaval da arte, o Carnaval da luta, o Carnaval do povo, o Carnaval da cultura popular”, completou Vieira.

Homenagem aos heróis da resistência

A Mangueira desfilou no sambódromo da Sapucaí na madrugada de terça (5). Na avenida, a escola carioca prestou homenagem aos heróis da resistência negra e indígena no Brasil. E a última ala foi inteiramente dedicada a vereadora Marielle Franco, assassinada há um ano.

Além dos sambistas, a escola contou com a presença de personalidades próximas a Marielle, como o deputado federal Marcelo Freixo (PSol) e a viúva da vereadora, Mônica Benício.

De acordo com informações do G1, Benício declarou ter ficado muito emocionada com o desfile e considerou a homenagem uma oportunidade de ressignifcar a morte de Marielle.

“Isso só concretiza a ressignificação daquela noite de 14 de março, em que vai completar um ano do assassinato de Marielle sem que o estado brasileiro responda quem mandou matar. Acho que isso é uma resposta de que vai haver luta até a gente ter uma resposta para isso”, afirmou.

Para ela, ver a figura de Marielle tão presente no samba-enredo mostra que a vereadora se tornou uma “representação para as meninas negras”.

Veja a letra do samba:

“Brasil, meu nego deixa eu te contar

A história que a história não conta

O avesso do mesmo lugar

Na luta é que a gente se encontra

Brasil, meu dengo a Mangueira chegou

Com versos que o livro apagou

Desde 1500, tem mais invasão do que descobrimento

Tem sangue retinto, pisado

Atrás do herói emoldurado

Mulheres, tamoios, mulatos

Eu quero o país que não tá no retrato

Brasil, o teu nome é Dandara

Tua cara é de Cariri

Não veio do céu nem das mãos de Isabel

A liberdade é um Dragão no mar de Aracati

Salve os caboclos de Julho

Quem foi de aço nos anos de chumbo

Brasil chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles e Malês.

Mangueira, tira a poeira dos porões

Ô, abre alas

Pros seus heróis de barracões

Dos Brasis que se faz um país de Lecis, Jamelões

São verde e rosa as multidões.”

Vejas imagens do desfile da Mangueira:

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