Bolsonaro diz que não poupará esforços para restabelecer democracia na Venezuela

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Após receber o autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, no Planalto, o presidente Jair Bolsonaro disse a jornalistas que o Brasil não poupará esforços para restabelecer a democracia no país vizinho. Ele, contudo, disse que isso só se dará por meio de eleições e evitou falar em ação militar.

“Nós não pouparemos esforços, dentro da legalidade, da nossa Constituição e das nossas tradições, para que a democracia seja restabelecida na Venezuela. E todos nós sabemos que isso só será possível através não apenas de eleições, mas de eleições limpas e confiáveis”, afirmou, ao lado de Guaidó.

Bolsonaro chamou o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela de “irmão” e “esperança” e agradeceu por ele “confiar no povo brasileiro”. “Nós continuamos apoiando todas as resoluções do Grupo de Lima para que atinjamos o objetivo que interessa a todos nós: liberdade e democracia.”

O presidente brasileiro aproveitou o momento para criticar os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, do PT, por terem, segundo ele, colocado o Brasil em um “caminho semelhante” ao da Venezuela. De acordo com Bolsonaro, a esquerda no Brasil e na Venezuela “gosta tanto de pobres que acabou multiplicando-os”.

“Graças a Deus o povo aqui acordou e, em parte, se mirou no que acontecia negativamente no seu país e resolveram dar um ponto final no populismo, na demagogia barata que leva exatamente à situação que o seu país se encontra neste momento”, disse Bolsonaro a Guaidó. 

O presidente brasileiro ainda disse fazer um ”‘mea culpa’ porque dois ex-presidentes do Brasil tiveram parte ou foram, em parte, responsáveis pelo que vem acontecendo na Venezuela hoje em dia”. E finalizou sua fala dizendo que “Deus é brasileiro e venezuelano”.

Guaidó, por sua vez, agradeceu o apoio e a “liderança” do Brasil, um dos primeiros a reconhecê-lo como presidente interino, depois dos Estados Unidos.

No último fim de semana, o Brasil e a Colômbia, com o apoio dos EUA, do Chile e do Paraguai – e a articulação com Guaidó -, tentaram passar pela fronteira caminhões com alimentos e remédios para a população venezuelana, mas foram impedidos pelo regime de Nicolás Maduro. A fronteira entre os países segue fechada.

Segundo Guaidó, seu país vive hoje um “dilema entre a democracia e a ditadura, entre a miséria e a morte” da população.

Apesar da resistência do Brasil e de outros países do Grupo de Lima de considerarem uma intervenção militar no país, para o venezuelano, “todos os mecanismos que levem a eleições livres podem ser implementados”. 

Guaidó disse ainda que o encontro com Bolsonaro era “um marco para resgatar um relacionamento positivo que beneficie nossa gente”. “Na Venezuela, estamos lutando por eleições livres, no marco da Constituição, democráticas”, disse.

Antes de se encontrar com Bolsonaro, Guaidó foi recebido na representação da União Europeia, em Brasília, por diplomatas de alguns países. Alemanha, Espanha, Reino Unido, França, Suécia, Dinamarca, Áustria, Holanda e Portugal já o reconheceram como presidente interino.

Após a reunião no Planalto, Guaidó se encontrou com parlamentares brasileiros contrários ao regime de Maduro.

Ele segue na sexta-feira para o Paraguai, onde será recebido pelo presidente, Mario Abdo Benítez. 

Guaidó disse que retornará à Venezuela no fim de semana – “no mais tardar, segunda-feira”. Ele, no entanto, não especificou como entrará no país, uma vez que as fronteiras, por terra, estão fechadas.

Questionado se não tinha medo de ser preso ou morto, Guaidó disse que quer “estar com a sua gente”, na Venezuela. ”É claro que há um risco, inclusive de vida, o exercício da política na Venezuela, mas também temos um dever,  entregamos nossa vida ao serviço de um país.”

Depois afirmou que o regime de Maduro “está tão fraco que tem apenas as armas”. “Imagine o regime de Maduro por um segundo sem armas, teríamos condições de fazer eleições livres. Maduro não tem apoio popular e nem reconhecimento internacional.”

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