Mourão prega solução pacífica na Venezuela ‘sem aventuras’

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REUTERS/Luisa Gonzalez

Em Bogotá, na reunião do Grupo de Lima, o vice-presidente Hamilton Mourão pregou uma solução pacífica para a crise na Venezuela. Em seu discurso, Mourão afirmou que a situação do país vizinho representa uma ameaça de riscos para a democracia e segurança de toda a região.

Segundo ele, se instaurou na Venezuela um regime de privilégio, “que não respeita as condições mais elementares de um estado de direito democrático, liberdade de expressão, eleições livres, alternância de partidos no poder, independência de poderes constituídos e legítima representação nacional”.

Venezuela não será capaz de se livrar do regime chavista sozinha.Hamilton Mourão, vice-presidente

No Twitter, o vice-presidente reafirmou ser contra qualquer tipo de intervenção, pregou uma solução “sem aventuras” e negou que o Brasil esteja disposto a permitir que os Estados Unidos use o território nacional para invadir a Venezuela.

Apelo aos militares

No encontro, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, fez um apelo aos militares venezuelanos para que deixem de apoiar o regime do ditador Nicolás Maduro. “Sabemos que [o apoio] não é por lealdade a Maduro, mas por medo”, disse. “Façam a escolha certa, aceitem a oferta sincera do presidente [autodeclarado da Venezuela] Juan Guaidó de uma transição para a democracia”, afirmou.

Pence instou os venezuelanos a irem às ruas contra o regime e também pediu apoio dos demais países da região. “Não pode haver observadores nessa luta. (…) Àquelas nações, diante das brutalidades que o mundo acompanhou essa semana, fazemos um apoio: juntem-se as nações de todo mundo, fiquem com o povo da Venezuela. Retirem apoio ao regime Maduro”, disse. Ele sugeriu apertar o cerco ao país, com sufocamento político e econômico. 

Luisa Gonzalez / ReutersMike Pence:  “Façam a escolha certa, aceitem a oferta sincera do presidente [autodeclarado da Venezuela] Juan Guaidó de uma transição para a democracia”.

Guaidó, que também participa do encontro, pediu para que todos os cenários internacionais possíveis seja considerados, sem mencionar diretamente o termo “intervenção militar”. ”É o momento de toda a região atuar e seguir construindo capacidades, com todos os cenários internacionais possíveis, em respeito à Constituição venezuelana, toda a força para fazer com que cesse essa situação dramática no nosso país”, disse. 

Ele afirmou ainda que não abrirá mão da ajuda humanitária. “A Venezuela tem um povo que resiste e insiste em buscar a democracia e a liberdade”, disse. Guaidó lamentou os episódios dramáticos do fim de semana que culminaram com a destruição de parte da ajuda humanitária, que a Colômbia reuniu e entregou aos venezuelanos.

De acordo com o governo colombiano, no sábado (23), 285 pessoas ficaram feridas na área fronteiriça dos 2 países. Dois caminhões de ajuda humanitária vindos da Colômbia foram queimados, aos gritos de desespero de venezuelanos. Caminhonetes com mantimentos e alimentos vindos do Brasil cruzaram a fronteira, mas tiveram que recuar para Roraima, devido à tensão.

Na quinta-feira (21), Maduro mandou fechar as fronteiras para não receber ajuda humanitária.

O Grupo de Lima foi criado em 2017 para discutir soluções para o agravamento da crise na Venezuela. Também integram o grupo Argentina, Canadá, Colômbia, Costa Rica, Chile, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru.

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