Em crise com os Bolsonaro, Bebbiano recebe de colega mensagem de que fica no governo

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EVARISTO SA via Getty ImagesAdvogado e homem de confiança de Bolsonaro, Gustavo Bebianno assumiu a presidência do PSL no período eleitoral como condição para então presidenciável se filiar ao partido.

Na corda bamba desde que vieram à tona denúncias sobre candidaturas laranjas do PSL nas eleições e que a família Bolsonaro expôs publicamente seu racha com ele, o ministro à frente da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno, ganhou uma sobrevida no governo nesta sexta (15).

Diante da relação estremecida de Bebianno com o presidente e um de seus filhos, coube ao ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, dizer ao colega que ele permaneceria no posto, durante uma reunião no Palácio do Planalto.  

A crise no governo ficou exposta na quarta-feira (13), após o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), um dos filhos do presidente, acusar Bebianno de mentir ao dizer que falou com Jair Bolsonaro. Carlos chegou a divulgar um áudio privado que seu pai gravou e enviou por WhatsApp para Bebianno, dizendo que não falaria com o ministro.

A postura foi endossada pelo próprio presidente, que retuitou em seu perfil oficial as acusações do filho – e o áudio – , e, em entrevista à Record, no mesmo dia, disse que se houver irregularidade no PSL durante a campanha, o ministro deveria “voltar às origens”.

De acordo com reportagens publicadas pela Folha de S. Paulo, o PSL financiou candidaturas laranjas no período em que Bebbiano presidiu a legenda. No domingo, o jornal revelou que o partido liberou R$ 400 mil para uma candidata laranja em Pernambuco.

Maria de Lourdes Paixão foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL no país, com valor acima do usado na campanha presidencial, mas só recebeu 274 votos.

Ata de uma reunião da Executiva Nacional do PSL em 11 de julho mostra que Bebianno era o responsável pela distribuição de verbas eleitorais, segundo a Folha.

Reportagem do jornal O Estado de São Paulo, por sua vez,  mostrou que, 7 candidatos do PSL repassaram R$ 1,2 milhão a uma empresa de um dirigente do partido quando Bebianno estava no comando. Desse grupo, só Luciano Bivar, atual presidente da sigla, foi eleito deputado federal. O valor é o triplo do que a campanha presidencial declarou com gastos de impressão.

Ao falar das acusações, Bebianno disse que não errou e afirma que a responsabilidade é do atual presidente da sigla. Luciano Bivar, por outro lado, alega que estava licenciado do comando da legenda na campanha.

A Polícia Federal apura o caso. Na última terça-feira (12), intimou uma candidata a deputada acusada de ter sido laranja, a prestar depoimento. A Procuradoria Regional Eleitoral e a Polícia Civil de Pernambuco também atuam na investigação.

Advogado e homem de confiança de Bolsonaro, Bebianno assumiu a presidência do PSL no período eleitoral como condição para então presidenciável se filiar ao partido. A sigla, que hoje é a segunda maior da Câmara dos Deputados, contava apenas com um parlamentar antes do ingresso do capitão reformado do Exército.

Na campanha, Bebianno atuou em diversas frentes, da estratégia jurídica à comunicação. Nessa época, os desentendimentos com a família Bolsonaro começaram e ficaram evidentes quando Carlos Bolsonaro criticou a nomeação do advogado no primeiro escalão.

Influência do ‘Zero Dois’ gera insegurança entre aliados

Filho mais próximo do presidente, Carlos Bolsonaro, chamado de “Zero Dois” pelo pai, teve papel de destaque na campanha, quando cuidou das redes sociais do então candidato, e na posse, ao se sentar no banco de trás do Rolls Royce presidencial, acompanhando o cortejo com o pai e a madrasta até o Congresso e o Planalto.

A influência dos filhos, no entanto, é vista com ressalvas por outros núcleos próximos a Bolsonaro. 

Nesta semana, a ala militar do governo e parte da base no Congresso montaram uma estratégia para debelar a crise e evitar que contaminasse as votações. O governo irá enviar a proposta da reforma da Previdência na próxima quarta-feira (20).

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, chegou a dizer que a impressão era de que Bolsonaro estaria “usando o filho para pedir para Bebianno sair”. “E ele é presidente da República, não é? Não é mais um deputado, ele não é presidente da associação dos militares”, disse Maia ao blog da Andreia Sadi.

Segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, Bolsonaro teria concordado, nesta sexta, em afastar seu filho, Carlos, das questões do governo, seguindo a avaliação de assessores no Planalto.

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