10 lugares imperdíveis para conhecer no Centro de São Paulo

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Lá se vão 465 anos desde que um grupo de padres jesuítas montou uma base num local chamado Piratininga, numa região alta do planalto que se alcançava depois de subir a serra vindo do litoral, para lá catequizar os indígenas locais e convertê-los à religião da Coroa Portuguesa.

O assentamento virou uma vila, depois uma cidade, até que no século passado se transformou numa das maiores metrópoles do mundo. A cidade cresceu, mas é no Centro que está a sua história.

Fizemos um roteiro com 10 pontos imperdíveis para conhecer no Centro de São Paulo, tanto para moradores da cidade que frequentam pouco essa região quanto para turistas… Anote aí as dicas para a sua próxima viagem à capital paulista.

Todos os locais são acessíveis de metrô – a melhor maneira de se locomover no Centro de São Paulo é a pé, aproveitando que as distâncias são curtas e existem vários calçadões.

DivulgaçãoA Catedral da Sé fica na Praça da Sé, o marco zero de São Paulo.

Praça da Sé – Catedral da Sé

O marco zero da cidade – o local a partir do qual as distâncias são calculadas, inclusive a numeração das ruas e a quilometragem das rodovias – fica no meio de uma bela praça, ladeada de prédios históricos e com a Catedral da Sé em seu ponto mais alto.

E, seja você religioso ou não, a catedral sempre vale uma visita, pela importância histórica, escala grandiosa e beleza arquitetônica. Ela foi construída entre 1912 e 1954, e apesar do estilo neogótico tem vários elementos decorativos tropicais, como plantas e animais que remetem à economia e à fauna brasileira.

A visita à catedral pode ser feita livremente. Mas o subsolo reserva uma surpresa: a cripta, onde estão sepultados personagens importantes da História paulista, como o cacique Tibiriçá, líder indígena da época da fundação da cidade, e vários arcebispos da cidade. O ingresso para a visita guiada à cripta é vendido na bilheteria, do lado esquerdo da nave principal.

Se você quiser realizar o passeio em grande estilo, uma vez por mês é realizado um brunch, que inclui uma visita às torres.

Como chegar: estação Sé do metrô

O Pateo do Collegio era usado por jesuítas para catequizar indígenas.

Pateo do Collegio

Esse é o local de nascimento de São Paulo, escolhido pelos jesuítas para montar seu posto de catequização dos indígenas. O local transpira História, e uma construção de paredes brancas, embora não seja original, é a reprodução fiel das primeiras casas construída no local. Tem até uma parede original para mostrar como eram as construções naquela época. Além de admirar e tirar fotos na praça, com sua bela fachada em estilo colonial, é possível visitar o Museu Anchieta, com um acervo de arte sacra e a História de São Paulo. Ou ainda apreciar toda essa história de um modo mais confortável: sentado num café, saboreando as deliciosas broas de milho, macias e perfumadas, vendidas no Café do Pateo. O local também serve almoço e abre também aos domingos.

Praça Pateo do Collegio, 2

Café: de terça a sexta, das 9h às 16h30 e sábados e domingo das 9h às 16h30

Como chegar: estação Sé do metrô

CCBB-SP sempre tem programação barata ou gratuita.

CCBB

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) é um desses locais que fazem a gente pensar que nem tudo que vem dos bancos é ruim para nós. 😉 É um espaço incrível que reúne exposições, filmes, música e teatro. Tudo gratuito ou por um precinho bem camarada. O prédio em si já vale uma visita, nem que seja para uma olhadinha rápida no saguão, com seu pé direito alto e decoração belíssima.

O casarão foi construído em 1901, reformado em 1923 para se transformar na imponente sede paulista do Banco do Brasil e funcionou como tal até a década de 1990. Em 2001, novamente reformado, reabriu como CCBB. Tem um café no térreo que vale a visita – e várias fotos da arquitetura também. E ainda um espaço com mesas na calçada e um restaurante no terceiro andar.

 Endereço: Rua Álvares Penteado, 112, esquina com Rua da Quitanda

Tel: (11) 3113-3651

Aberto de quarta a segunda, das 9h às 21h

Como chegar: estação São Bento do metrô

O Mosteiro São Bento tem programação de missas com canto gregoriano.

Mosteiro de São Bento

Outro local ligado à fundação da cidade, já que ali ficava a taba do cacique Tibiriçá. Em 1600 o prédio foi doado pela Câmara aos monges beneditinos e vários prédios foram erguidos no local ao longo dos anos. A construção atual, realizada entre 1910 e 1912, é a quarta, acompanhando o rápido desenvolvimento de São Paulo naquela época.

O destaque da igreja de São Bento, além da arquitetura e da rica decoração, é a missa com órgão e canto gregoriano. As missas com canto são realizadas de segunda a sexta, às 7h, e sábados às 6h. Mas a mais concorrida é a de domingo, às 10h, com canto e órgão.

A igreja tem ainda uma outra atração: uma lojinha que vende produtos feitos pelos monges, como pães, biscoitos e geleias. E, no último domingo de cada mês, é servido um concorrido brunch no mosteiro.

 Largo de São Bento, 48
Tel. para o brunch: (11) 94075-0593

Como chegar: estação São Bento do metrô

O Farol Santander já foi conhecido como Banespão, por ser a sede do antigo banco Banespa.

Farol Santander

Batizado oficialmente de Altino Arantes, foi durante várias gerações o edifício-símbolo de São Paulo, com a bandeira do Estado tremulando no alto da antena. Conhecido como Banespão, por ser a sede do Banco do Estado de São Paulo, foi vendido para o espanhol Santander na privatização do banco, em 2000. Depois de alguns anos fechado foi reformado e reabriu em janeiro do ano passado rebatizado de Farol Santander.

O prédio é um dos mais fotogênicos do Centro, com seu formato de torre, e, se faz você se lembrar do Empire State Building, de Nova York, não é por acaso. O governador Ademar de Barros encomendou ainda nos anos 1930 um prédio que fosse a cópia do original americano e celebrasse a riqueza de São Paulo, então um grande exportador de café.

Inaugurado em 1948, foi o prédio mais alto do Brasil até 1960. Hoje, na versão século 21, tem exposição mostrando a história do banco e da economia paulista, exposições de arte imersiva e até uma pista de skate, além de um café no mirante. A partir de fevereiro, terá também um bar no subsolo, o Bar do Cofre, na sala onde ficava o antigo cofre do Banespa.

É preciso comprar ingresso para entrar no prédio por este link. Em alguns horários, é possível encontrar na hora.

Endereço: Rua João Brícola, 24

Horário de funcionamento: de terça a sábado das 9h às 20h e domingo das 9h às 17h

Como chegar: estação São Bento do metrô

DivulgaçãoO Edifício Martinelli foi o 1º arranha-céu de São Paulo.

Edifício Martinelli/Casa Mathilde

Primeiro arranha-céu de São Paulo e edifício mais alto da América Latina entre 1934 e 1947 (quando perdeu o posto para o Altino Arantes), o Martinelli é um dos prédios mais interessantes do Centro Histórico. Um dos mais fotogênicos também, e da Praça Antonio Prado, onde fica ainda a Bolsa de Valores (agora chamada de B3), é possível fazer fotos incríveis tanto do Farol Santander quanto do Martinelli.

A construção atendeu a um sonho do imigrante italiano Giuseppe Martinelli que teve que enfrentar o medo que os paulistanos tinham de prédios altos e acabou perdendo o edifício para os bancos porque não conseguiu pagar os empréstimos. O Martinelli passou por um período de decadência mas em 1975 foi desapropriado pela Prefeitura e hoje está restaurado e é sede de várias secretarias municipais. 

DivulgaçãoA Casa Mathilde vende doces portugueses no Centro de São Paulo.

O Martinelli não é, infelizmente, aberto à visitação. Mas existe um local de onde se pode ter uma excelente vista do Martinelli: a Casa Mathilde, de doces tradicionais portugueses. Embora tenha se instalado nesse local há alguns anos, a tradição da Casa Mathilde remonta ao fim do século 19, em Portugal. O cardápio é de babar: de pastel de nata e travesseiros de Sintra a guardanapo e pães sovados para os sanduíches. A vista do mezanino é ideal para apreciar o Martinelli e o movimento no calçadão.

Endereço: Praça Antonio Prado, 76

Segunda a sexta, das 9h às 19h30 e sábado das 9h às 16h30

Como chegar: estação São Bento do metrô

DivulgaçãoO Theatro Municipal atendeu à elite paulistana no início do século 20, ávida por teatro.

Theatro Municipal

Construído no início do século 20, quando a elite de São Paulo enriquecia enlouquecidamente com o café e sentia falta de um teatro que pudesse receber artistas internacionais (que já passavam por Buenos Aires em suas turnês), o Theatro Municipal de São Paulo é um edifício belíssimo, com uma bela programação de concertos e óperas.

Todo construído com ferros e vidros importados e madeira entalhada pelos artesãos italianos que se estabeleceram na cidade, foi o responsável por estender para o outro lado do Vale do Anhangabaú um núcleo urbano que até o século 19 se concentrava apenas na região entre a Sé e o Mosteiro de São Bento. E ali foi registrado, na inauguração, o primeiro congestionamento de São Paulo (e pensar que eles ficaram orgulhosos disso na época, porque significava progresso…).

Até hoje o teatro impressiona, e sua arquitetura pode ser observada nas performances artísticas ou nas visitas guiadas. Até o fim do janeiro, o teatro oferece visitas gratuitas de hora em hora, inclusive nos fins de semana.

Endreço: Praça Ramos de Azevedo, s/nº

Bilheteria: 11 – 3053 2090

Como chegar: estação Anhangabaú do metrô

Vale a pena conhecer o Copan por fora e admirar suas curvas.

Copan

Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer no início da década de 1950 como o maior edifício em concreto armado do País, o Copan (abreviatura de Companhia Pan-Americana de Hotéis e Turismo), deveria ser um presente a São Paulo na comemoração dos seus 400 anos, em 1954. Mas problemas financeiros acabaram mudando o projeto original e adiando a construção, que só foi concluída em 1966, já nas mãos de outro arquiteto, Carlos Lemos.

O gigante de concreto com 1.160 apartamentos passou por uma fase difícil na década de 1990, e os blocos de quitinete ficaram com fama nada boa. Mas isso é parte do passado. Nos últimos anos, o Copan entrou na moda e seus apartamentos são bastante disputados – tanto que alguns são alugados para fins de semana. Vale a pena conhecer o edifício por fora e admirar suas curvas, passear por sua galeria de lojas e restaurantes – e parar em um dos bares ou restaurantes.

O mirante do Copan, no 32º andar, é um espetáculo à parte.

Outro programa imperdível é subir no mirante, no 32º andar, e observar a cidade lá do alto. Dá para fazer isso, de graça. Basta se dirigir à administração, no Bloco F, de segunda a sexta, às 10h20 e 15h20, e colocar o nome no livro. E, de lá de cima, rechear seu Instagram com sua própria coleção de cartões postais.

Endereço: Avenida Ipiranga, 2000

Como chegar: estação República do metrô, saída da Rua 7 de Abril.

O Minhocão é um parque em viaduto e, por isso, ressignifica o espaço público.

Minhocão

Quem nunca foi pode achar estranho: como assim, passear num viaduto, numa faixa elevada de concreto e asfalto? Pois é. Lembra quando se dizia que praia de paulistano é shopping center? Agora as opções são mais variadas e incluem passeios ao ar livre. 😉

O Elevado Presidente João Goulart (era Costa e Silva, mas o nome do ditador foi substituído pelo de outro presidente, há alguns anos) tem quase 3 quilômetros de extensão e é oficialmente um parque nos horários que fica fechado para os veículos, que é de segunda a sexta, das 20h às 7h, e o dia inteiro nos fins de semana e feriado.

O local é usado para correr, caminhar, andar de bicicleta, patins, skate, passear com cachorro, bater papo com os amigos, namorar, fazer aulas de yoga, alongamento e até pegar um bronzeado. E é impressionante o número de pessoas passando por ali nas noites quentes deste verão. O Minhocão representa como nenhum outro o conceito de hackeamento e ressignificação do espaço público.

A Praça Roosevelt é a síntese da diversidade no Centro de São Paulo.

Praça Roosevelt

A Praça Roosevelt é o melhor exemplo de ocupação do espaço público na cidade e um lugar realmente imperdível para quem quer conhecer a vibe contemporânea de São Paulo. É o local onde todas as tribos se encontram. Desde o pessoal de teatro – muitos globais começaram suas carreiras ali nos teatros da Roosevelt – aos frequentadores dos bares.

Na praça em si, são moradores com seus pets, skatistas, crianças aprendendo a andar de bicicleta, grupos de atores performáticos ensaiando, apresentações de slam ou grupos de amigos simplesmente conversando. A praça tem história na cidade: o local foi o berço paulistano da Bossa Nova e endereço de cineclubes como o Cine Bijou e o Oscarito. Depois de um período de decadência, que teve seu pior momento nos anos 1990, começou a se recuperar com a instalação da cia. de teatro Os Satyros, em 2000, e de outros teatros, o que ajudou a levar um público que começou a demandar a reforma da praça, inaugurada em 2012. Desde então, o movimento é cada vez maior. Além dos 12 bares no entorno, tem um café/bar dentro da praça, atrás da igreja.

Como chegar: estações República, Anhangabaú ou Higienópolis/Mackenzie

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