‘A Favorita’: Mulheres comandam o show em comédia deliciosamente perversa

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DivulgaçãoEmma Stone e Olivia Colman em um jogo de gato e rato lésbico cheio de manipulações maquiavélicas e truques baixos.

Produção com mais indicações ao Oscar em 2019 junto com Roma, A Favorita — que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (24) — chama a atenção por ser muito moderna, mesmo sendo um filme de época.

Quem diria que em um gênero onde as mulheres são normalmente retratadas de forma tão subserviente, não apenas uma (ou duas), mas três delas brilhassem com personagens tão marcantes?   

Tanto que as protagonistas, o trio formado por Olivia Colman, Emma Stone e Rachel Weisz, concorrem às estatuetas de Melhor Atriz (Coleman) e Melhor Atriz Coadjuvante (Stone e Weisz).

Filme mais convencional de Yorgos Lanthimos (O Lagosta e Dente Canino) — se bem que isso não quer dizer muito coisa quando se conhece a filmografia inusitada do diretor grego, a trama de A Favorita, mesmo ambientada no começo do século 18, passa com louvor no Teste de Bechdel.

Introduzido na história em quadrinhos Dykes to Watch Out For, de Alison Bechdel, o teste propõe três condições para avaliar se um filme faz bom uso de personagens femininas: 1 – Deve ter pelo menos duas personagens importantes mulheres; 2 – Elas devem conversar uma com a outra; e 3 – Essa conversa não pode ser sobre homens.

DivulgaçãoSem emplacar um sucesso há anos, Rachel Weisz volta a ficar sob os holofotes em A Favorita.

Check, check e check.

A história retrata o jogo de poder entre Sarah Churchill, a Duquesa de Marlborough (Rachel Weisz), e Abigail (Emma Stone), uma jovem que perdeu seu título de nobreza, pelo coração – e controle – da Rainha Ana (Olivia Colman), monarca inglesa de meados do século 18 que sofria de gota e de uma impressionante instabilidade emocional.

No entanto, se por um lado as interpretações de Colman, Stone e Weisz sejam o chamariz mais imediato de A Favorita, por outro, a assinatura de Lanthimos é essencial para o excelente produto final.

É óbvia sua inspiração em Barry Lyndon (1975), um dos melhores e menos reconhecidos filmes de Stanley Kubrick, quando ele dá um tom naturalista ao ambiente de ostentação palaciana, mas sem deixar de lado seu toque pessoal buscando ângulos inusitados para gerar tensão ou escancarar o ridículo de muitas situações.

Dito isso, é inegável a importância das atrizes para o sucesso do filme. Especialmente Coleman. Sua Rainha Ana varia entre a infantilidade e a sagacidade de forma tão imprevisível que torna seu personagem fascinante. Stone e Weisz não ficam muito atrás com seu jogo de gato e rato lésbico cheio de manipulações maquiavélicas e truques baixos.

Em resumo, A Favorita é uma comédia deliciosamente perversa em que as mulheres comandam o show, algo que deveria ser mais comum no cinema, mas, infelizmente, não é.

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