Após conflito de versões, Battisti segue da Bolívia direto para Itália

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Após um conflito de versões divulgadas durante todo o domingo (13), os governos de Itália e Bolívia confirmaram que Cesare Battisti seguirá direto de Santa Cruz de La Sierra para Roma, em um voo do governo italiano.  

No início da tarde, o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), havia dito, após uma reunião com o presidente no Palácio da Alvorada, que Battisti passaria pelo Brasil antes de seguir para a Itália.

O governo brasileiro vinha tentando fazer com que Battisti saísse do Brasil para a Itália, já que sua extradição foi uma promessa de campanha de Bolsonaro. No fim da manhã, o presidente convocou uma reunião com Heleno, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o chanceler, Ernesto Araújo, no Alvorada, para discutir a questão.

A Polícia Federal brasileira chegou a enviar um avião pequeno, a partir de Corumbá, para Santa Cruz, para trazer Battisti ao Brasil. Segundo Heleno, o italiano então teria que parar no Brasil pois a aeronave da PF brasileira não teria autonomia para voar até Roma. 

A informação, no entanto, foi contrariada horas depois pelo primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, em seu perfil no Facebook. Segundo ele, Battisti voltaria num voo direto para Roma. Ele disse ainda ter falado com Jair Bolsonaro por telefone e agradeceu o apoio.

Pouco depois, o ministro boliviano de Interior, Carlos Romero, confirmou a jornalistas, na sede da Interpol em Santa Cruz, a versão de Conte.

“Nas próximas horas, este cidadão italiano será entregue pela Interpol Bolívia a Interpol Itália para ser movido em um vôo enviado pelas autoridades italianas”, disse.

Battisti, que estava foragido desde dezembro, foi preso na tarde de sábado (12), em Santa Cruz de La Sierra por uma equipe da Interpol formada por investigadores italianos.

Após a declaração de Heleno de que Battisti passaria pelo Brasil, os advogados do italiano no País decidiram impetrar um habeas corpus preventivo contra o  ato do ministro do STF Luiz Fux, que determinou a prisão em dezembro, para tentar evitar a extradição. O movimento foi em vão.

Prisão de Battisti

Segundo o jornal italiano Corriere della Sera, Battisti, 64, foi detido enquanto caminhava por uma rua de Santa Cruz, com uma barba falsa, mas um documento brasileiro com seu nome verdadeiro. O italiano estava sozinho e não resistiu à prisão. 

A polícia italiana divulgou, pelo Twitter, um vídeo que mostra Battisti caminhando, com o disfarce, antes da prisão.

Battisti era considerado foragido desde 14 de dezembro, quando o então presidente Michel Temer assinou seu decreto de extradição.

Ele foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios cometidos nos anos 1970, quando integrava o grupo Proletariados Armados pelo Comunismo, braço das Brigadas Vermelhas. Ele se declara inocente.

Segundo a polícia italiana, a equipe da Interpol seguiu para a Bolívia ainda antes do Natal, depois de receber informações sobre o possível paradeiro de Battisti. 

Pedidos de extradição no Brasil

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux havia determinado a prisão de Battisti, que estava desde 2004 no Brasil, em 13 de dezembro. 

A Itália fez o primeiro pedido de extradição em 2007. Battisti foi preso naquele ano no Brasil, mas o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) postergou a decisão enquanto pôde.

Em 2009, o STF autorizou a extradição em uma decisão não vinculativa, que dava a palavra final ao presidente. No seu último dia de mandato, em 2010, Lula determinou que Battisti ficasse no País – ato confirmado depois pelo STF.

Neste domingo, o presidente Jair Bolsonaro comemorou, pelo Twitter, a prisão, e aproveitou para atacar o PT: “Finalmente a justiça será feita ao assassino italiano e companheiro de ideais de um dos governos mais corruptos que já existiram no mundo (PT)”. 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia negado a extradição a Battisti quando estava no poder. 

O ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, também celebrou pelas redes sociais. Com uma montagem que mostra Battisti numa praia, Salvini escreveu: “Acabou a bendição”. 

Em seu post no Facebook, ele agradeceu “de coração ao presidente Jair Bolsonaro e ao novo governo brasileiro que mudou o clima político que permitiu essa prisão”. 

O embaixador italiano no Brasil, Antonio Bernardini, também marcou Bolsonaro, seu filho Eduardo e Araújo no post de celebração. “Battisti está preso! A democracia é mais forte que o terrorismo!!”, escreveu.

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