João de Deus vira réu por estupro de vulnerável e violação sexual

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Nesta quarta-feira (9), a juíza Rosângela Rodrigues dos Santos, da Justiça em Abadiânia (GO), aceitou a denúncia contra João de Deus. O médium passou a ser réu pelos crimes de estupro de vulnerável e violação sexual.

A denúncia havia sido encaminhada ao Ministério Público de Goiás (MP-GO) no dia 28 de dezembro. O processo refere-se a quatro crimes: dois crimes de violação sexual mediante fraude e dois estupros de vulneráveis que supostamente teriam sido praticados pelo médium durante atendimentos individuais em seu centro espiritual, localizado em Abadiânia.

De acordo com a promotora ​Gabriella de Queiroz, uma das responsáveis pelas investigações, os crimes teriam ocorrido entre os meses de abril e outubro de 2018.

Outros 19 depoimentos de mulheres que relataram terem sido vítimas de João de Deus foram protocolados com a denúncia, que está sob sigilo da Justiça.

Os casos teriam ocorrido entre 1975 e 2018. Desses, cinco já prescreveram e outros cinco estão sob investigação.

Desde que os casos vieram a público, centenas de mulheres procuraram o MP-GO para denunciar situações de violência e abuso cometidas pelo médium.

Nos últimos dias, o médium também passou a ser alvo de denúncias por um suposto esquema de tráfico de pessoas e exploração sexual de mulheres. Entenda.

ASSOCIATED PRESSJoão de Deus é réu por estupro de vulnerável.

MP-SP apura tráfico de crianças ligadas a João de Deus 

A promotora Gabriela Manssur, do Ministério Público de São Paulo,  encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF), na última segunda-feira (7), uma denúncia feita por uma ativista de que João de Deus também participaria de uma quadrilha de tráfico de bebês e de escravização sexual de mulheres.

O MP de Goiás também recebeu as informações da ativista Sabrina Bittencourt. Segundo a promotora Patrícia Ottoni, contudo, não cabe ao órgão atuar sobre esses tipos de denúncias contra o médium.

“Os fatos relatados pela senhora Sabrina são graves, como quem assistiu ao vídeo que circula pela internet pode verificar, mas, não sendo atribuição do MP-GO, não cabe a ele fazer o juízo de valor quanto a esses fatos. Mesmo tendo colhido esse depoimento, é nossa obrigação encaminhar para o MPF, a quem cabe fazer a análise de todos os elementos colhidos”, disse em entrevista à TV Anhanguera.

Ao HuffPost Brasil, o Ministério Público Federal em Goiás afirmou que ainda não foi notificado sobre as informações. De acordo com o processo, ao receber as informações, o MPF-GO deve distribuir a denúncia a um procurador em primeira instância, que analisará os dados

Em um vídeo publicado em 4 de janeiro, Bittencourt disse ter tido acesso aos relatos de “mulheres negras de baixa renda, tanto em Abadiânia quanto em Anápolis e no norte de Minas, que viviam próximas dos garimpos ilegais de João de Deus”.

Segundo ela, os bebês seriam vendidos a famílias estrangeiras por até U$50 mil. O comércio das crianças era intermediado por “guias turísticas espirituais, ex-funcionárias e cidadãos de Abadiânia que já estão fartos de serem coniventes, de forma coagida, com a quadrilha de João de Deus”.

João de Deus é investigado por porte ilegal de armas e estelionato

Ainda nesta quarta-feira (9), João de Deus foi ouvido pela Polícia Civil de Goiás a respeito das investigações de posse ilegal de armas.

Em dezembro, os policiais apreenderam uma mala com R$ 1,2 milhão e armas na casa do médium.

Outra investigação em andamento pela força-tarefa de Goiás refere-se ao crime de estelionato. Os profissionais investigam se o médium estaria revendendo pedras não preciosas como se elas o fossem.

Contudo, o material ainda está em perícia junto à Polícia Civil.  

João de Deus está preso desde o dia 16 de dezembro.

Desde o início das investigações, o MP-GO recebeu 596 relatos de abusos sexuais e identificou 255 vítimas. 

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