Reforço conservador no Senado, Eduardo Girão diz que entrou na política por milagre

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Foram pelo menos 2 milagres. Um que o fez entrar formalmente para a política e outro que o deu a vitória nas últimas eleições para o Senado, em outubro. Essa é a conta feita por Eduardo Girão (Pros-CE), que já é visto como um dos soldados das causas conservadoras no Senado na próxima legislatura.

O primeiro “milagre” ocorreu em 14 de fevereiro deste ano. Girão foi buscar os filhos em uma escola na Flórida, nos Estados Unidos, e quando chegou, encontrou uma multidão. Havia ocorrido um atentado: um ex-aluno de 19 anos abriu fogo, matando 17 pessoas. Na sala de aula onde o atirador fez as vítimas estava a filha de Girão.

“As colegas da minha filha foram assassinadas, o professor foi morto e a minha filha por um milagre ficou”, conta. Foi este atentado que fez o empresário ceder aos apelos dos amigos que insistiam para que ele se candidatasse.

O segundo foi permitir que ele protagonizasse uma grande mudança no rumo da política cearense: O ex-dirigente do Fortaleza foi o responsável por vencer nas urnas o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), por uma diferença de 11 mil votos. Derrotado, o emedebista que esteve no Congresso nos últimos 20 anos, anunciou que deixará a política.

Já fazia alguns anos que Girão havia trocado a vida de workaholic pela de uma “pessoa com causas”, como ele mesmo diz. Mas foi depois de uma crise de síndrome do pânico que ele percebeu que dava mais valor ao trabalho que à família e aos amigos. “A chavinha virou.”

A defesa da vida, com forte embate contra o aborto, a Escola sem Partido, a luta contra o porte de armas (mas a favor da posse) e a guerra às drogas são algumas das causas defendidas pelo novo senador do Ceará.

As bandeiras, em sua maioria, em afinidade com as que o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) carrega, ajudam a explicar a vitória de Girão. “O País precisava virar essa página do sistema político corrupto, apodrecido”, diz, em referência aos 12 anos de governo PT e 2 anos de Michel Temer (MDB). O mesmo discurso se mostrou vencedor no pleito deste ano.

A expectativa de aliados da bancada evangélica na Câmara é que Girão reforce a tropa conservadora na Casa, que sempre foi tida como mais “progressista” que a Câmara. Embora em 2019 o Senado também conte com soldados como Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Major Olímpio (PSL-SP) e Marcos Rogério (DEM-RO), Girão é visto como sucessor de Magno Malta (PR-ES), que não foi reeleito – porém, com perfil mais conciliador.

Veja abaixo 6 pontos para entender o pensamento e saber o que esperar da atuação de Girão no Senado.

1. Pró-vida

“Defendo a vida desde a concepção, que é um assunto extremamente polêmico, no qual procurei mergulhar. Para você ter ideia, esse aqui é um bebê com 11 semanas de gestação [diz, mostrando o boneco de um feto], normalmente quando se descobre a gravidez.

Muitas vezes é responsabilidade do homem que pressiona e abandona a mulher, e ela fica em uma posição de desespero para tomar a decisão do aborto. Nesse momento, o bebê já está todo formado: fígado, rins, tem até unha. Não é só a vida desse bebê que é destruída no aborto, a saúde da mulher fica comprometida pelo resto da vida.

Temos que pensar no ato do aborto em si. A mulher que faz o aborto, ela fica com uma propensão muito maior a ter problemas de saúde, psíquicos, mentais e até físicos, envolvimento com álcool e drogas, depressão e até o suicídio. É um assunto complexo que precisa ser analisado. Tem que ter políticas públicas pró-vida, não sob o aspecto religioso, mas também da ciência, das estatísticas sociais, esse é um assunto que me move bastante.”

2. Contra o porte, a favor da posse de armas

“Defendo o controle de armas e a posse, mas esse direito está sendo negado por causa de uma burocracia. Defendo a posse, mas sou contra o porte. Acho que as pessoas andarem armadas nas ruas é um perigo. É como você querer resolver um problema de segurança jogando gasolina para apagar um incêndio.

Briga de trânsito: Imagina, um cara fecha outro, você com acesso fácil a arma de fogo… você pode naquele momento acabar com a sua vida e com a de outra pessoa.”

Sou a favor do direto a posse de armas nas residências e locais de trabalho, cumprindo requisitos legais. Porém, permitir o porte ao cidadão, deixando a arma transitar livremente, não é a melhor saída para a insegurança e poderá provocar tragédias. Saiba mais detalhes no meu Plano de Propostas para o Senado: O Brasil e, notadamente, o estado do Ceará vivem uma grave crise na segurança pública. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) afirma que a violência custa ao País 91 bilhões de dólares. Cerca de 63 mil brasileiros foram assassinados em 2016, sendo que 71% dessas mortes são por arma de fogo (Fonte: Atlas da Violência 2018). Tal situação precisa ser resolvida com serenidade e firmeza, embora que sob a luz da razão e da ciência. Advogo que o cidadão tem o direito a ter arma de fogo nas residências e nos locais de trabalho, desde que ele cumpra todos os requisitos legais estabelecidos em lei – e que isso não deva ser negado como está acontecendo na prática. Entretanto, entendo que fornecer o porte à população, deixando a arma transitar livremente nas ruas, não é a saída para combater a insegurança que nos amedronta, principalmente quando estatísticas deixam claro que 80% dos que reagem a um assalto perdem a arma ou a vida. Penso que se o porte vier a ser concedido em larga escala, os riscos vão aumentar e questões simples podendo originar verdadeiras tragédias. Entendo que as armas de fogo devem circular apenas nas mãos de instituições de proteção ao cidadão, principalmente as polícias. Além disso, defendo um melhor aparelhamento dos agentes de segurança, objetivando a intensificação de procedimentos de buscas e apreensões de armas. O Estatuto do Desarmamento, em que pese necessitar de alguns retoques, é uma lei sólida e os números não nos deixam mentir. Segundo estudos do Mapa da Violência, a entrada em vigor da referida lei, em 2003, poupou em doze anos mais 160 mil vidas, sendo que cerca de 113 mil só de jovens entre 15 e 29 anos. Reafirmo que sou um defensor do controle de armas e, por isso buscarei promover a desburocratização criteriosa e responsável da concessão da posse, sendo expedida exclusivamente pela Polícia Federal.

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3. Guerra às drogas

“Sou contra liberação das drogas, contra a liberação da maconha. Grandes consultorias americanas mostram que a liberação da maconha explodiu o consumo em estados em que foi liberada. A gente sabe que a explosão do consumo causa evasão escolar, não diminui o tráfico e aumenta a violência.”

4. Contra a liberação de jogos de azar

“Acredito que a liberação da jogatina é a abertura para lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e armas, prostituição, inclusive infantil. As pessoas argumentam que é algo que já acontece, e o País passaria a ganhar com a tributação. Mas estudos mostram que para cada US$ 1, há um custo social de US$ 3.”

No nosso mandato, iremos lutar por um Brasil livre da jogatina. Sou contra os jogos de azar, pois causam a ludopatia, que é o vício em jogos, principalmente entre os aposentados, e estão associados ao alcoolismo e à dependência de drogas ilícitas. Essa prática está ligada diretamente também a crimes como evasão de receita, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, financiamento fraudulento de campanhas eleitorais, além de fomentar o tráfico de drogas, o turismo sexual e a prostituição, inclusive a infantil. Atualmente, dois projetos de lei que discutem a legalização da jogatina no País (jogo do bicho, máquinas caça-níquel, cassinos, bingos, jogos online etc) tramitam no Congresso Nacional, um no Senado e outro na Câmara dos Deputados. O Ministério Público Federal, a Polícia Federal, tanto quanto o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e a receita Federal já se pronunciaram contra a legalização. Fala-se muito que a liberação dos jogos de azar vai possibilitar um aumento significativo na arrecadação do País. Essa crença não passa de um mito! Segundos cálculos do estudioso norte americano Earl Grinols, a cada dólar arrecadado com os jogos de azar, três são gastos com impacto nocivo na sociedade. #SenadorEduardoGirão #NãoAosJogosdeAzar #BrasilLivreDosJogosDeAzar

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5. Ideologia de gênero

“Ideologia de gênero não tem nada a ver com nosso irmãos homossexuais. Eles têm que ser acolhidos e respeitados nessa opção. Agora pegar um criança e dizer que não tem identidade é uma manipulação muito perigosa.”

6. Relação com Bolsonaro

“Tenho pautas que divergem dele. Essa das armas é uma das principais, embora ele já esteja mais flexível, nunca mais falou de porte. Fiquei feliz. Estive na dúvida na campanha entre votar nele ou no Amoêdo. Decidi pelo Bolsonaro ao ver que o País poderia regredir. O País precisava virar essa página do sistema político corrupto, apodrecido.”

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