João de Deus tem prisão decretada após denúncias de abuso sexual

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A Justiça de Goiás acatou nesta sexta-feira (14) o pedido do Ministério Público do estado (MP-GO) e determinou a prisão do médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, alvo de centenas de denúncias de abuso sexual. Ele pode ser preso a qualquer momento.

A força-tarefa criada pelo MP para apurar as acusações contra o médium recebeu, até quinta-feira (13), mais de 300 mensagens e ligações de mulheres que afirmam ser vítimas de crimes sexuais praticados por João de Deus durante atendimento espiritual.

Promotorias de outros estados também estão recebendo denúncias e auxiliando o MP-GO na investigação, colhendo depoimentos de mulheres que não moram em Goiás.

Na quarta-feira (12), em sua primeira aparição pública após o escândalo, João de Deus disse que é inocente e que está à disposição da Justiça.

“Irmãos e minhas queridas irmãs, agradeço a Deus por estar aqui. Quero cumprir a lei brasileira. Estou nas mãos da Justiça. O João de Deus ainda está vivo”, declarou

O médium, que tem 76 anos, fundou em 1976 a Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO). O município tem cerca de 12 mil habitantes e fica a 110 km de Brasília e de Goiânia.

Na tarde desta sexta, a defesa do médium divulgou uma nota em que diz que tentou obter, junto ao MP estadual, em Goiânia, “cópias dos depoimentos prestados pelas vitimas e amplamente noticiados pela imprensa”, mas que o pedido foi negado “sob o argumento da preservação do sigilo”.

Os advogados Alberto Zacharias Toron e Luisa Moraes Ferreira ainda criticaram o fato de ninguém ter se preocupado em disponibilizar uma cópia da decisão que determinou a prisão preventiva para a defesa.

“É inaceitável a utilização de pretextos e artifícios para se impedir o exercício do direito de defesa. Sobretudo no que diz com o direito básico de se aferir a legalidade da decisão mediante a impetração de habeas corpus. Até mesmo o número do processo não se disponibiliza à defesa”, diz o texto, que considera “assombroso” que a autoridade judiciária negue acesso aos autos.

O caso

As denúncias começaram a vir a público na última sexta-feira (7), quando o programa Conversa com Bial, da TV Globo, divulgou os primeiros depoimentos. A partir daí, outras mulheres que afirmam ser vítimas do médium procuraram as autoridades e a imprensa.

As denúncias que chegaram à imprensa revelam que João de Deus seguia um padrão ao cometer os abusos. As vítimas afirmam que o médium dizia que elas deveriam passar por um atendimento especial, em local privado, e os abusos eram justificados como “limpeza espiritual”.

*Com informações da Agência Brasil

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