Danai Gurira fala sobre ‘Pantera Negra’, ‘Vingadores’ e seu trabalho de conscientização do HIV

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Thanos ainda ordena que se faça silêncio sobre os acontecimentos específicos de Vingadores: Guerra Infinita e a sequência, Vingadores: Ultimato, prevista para chegar aos cinemas em 2019, e Danai Gurira vai se curvar aos desejos da Marvel – até certo ponto.

Numa cena de Pantera Negra que foi deletada antes da estreia do filme em DVD, foi revelado que Okoye, e personagem de Gurira, e W’Kabi, representado por Daniel Kaaluya, não eram simplesmente um casal: eram oficialmente casados. Mas a decisão de W’Kabi de trair Okoye e seu país no final do filme mais ou menos gela o relacionamento todo deles. Resta no ar uma pergunta: já que eles eram casados antes de W’Kabi virar a casaca, será que continuaram juntos depois?

Em entrevista que deu ao HuffPost, Danai Gurira confirmou o que todos já sabíamos.

“Não, você não viu o filme? Por que ela continuaria com ele? Ela lhe disse que o derrubaria se fosse preciso… Se fosse preciso para o bem do país, ela o mataria. Disse isso na cara dele”, falou Gurira. “Acho que depois disso não há mais como voltar para trás, certo?”

“Talvez exista alguma terapia de casais incrível em Wakanda”, ela ressalvou. “Mas não sei… Acho que W’Kabi ia para a prisão. É o que eu penso.”

Assim, a cena deletada não fez mais que esfregar sal nas nossas feridas. Wakanda é para sempre, mas o casal antes conhecido como “O’Kabi” (ou W’Koye?) não é.

Além do ainda inédito Vingadores: Ultimato, Gurira tem toda uma leva de novos filmes a caminho, incluindo uma eventual sequência de Pantera Negra e, especula-se, papéis em uma sequência de Jornada nas Estrelas e em Godzilla vs. Kong. Além de seu trabalho no cinema, Gurira está trabalhando sobre um projeto novo de ativismo, a iniciativa “Make HIV History” (Relegue o HIV para a História), em parceria com a Johnson & Johnson. Como alguém que nasceu nos Estados Unidos mas foi criada no Zimbábue, ela descreveu a conscientização do HIV e a erradicação do vírus, algum dia, como causas que significam muitíssimo para ela.

Ah, e Gurira também tem um papel importante como Michonne em The Walking Dead, pelo menos por enquanto. Os personagens abandonam a produção em ritmo alarmante; esta temporada foi a vez até mesmo do personagem central da série, Rick Grimes (Andrew Lincoln). Com todos esses projetos em vista, será que Gurira vai continuar com a série da AMC?

Quando lhe perguntei sobre isso, ela evitou completamente responder à pergunta sobre seu futuro com The Walking Dead. Mas temos que tentar, certo?

HuffPost: Com todos os projetos que você tem em andamento, além de estar trabalhando para conscientizar as pessoas sobre o HIV, devemos ter receio quanto ao futuro de Michonne em The Walking Dead?

Danai Gurira: Só vou dizer uma coisa: eu acompanho a história, e não vou mergulhar aqui no meu futuro em The Walking Dead. Mas amo a série. Amo minha família e amo muito a história que pude contar com Michonne. Mas, basicamente, não vou dizer nem sim nem não à sua pergunta.

Tudo bem então.

Valeu pela tentativa [risos].

Por que você acabou assumindo este novo trabalho, “Make HIV History”?

Fez muito sentido para mim porque estou ligada a essa questão de várias maneiras. Fui criada no Zimbábue nos anos 1980 e 1990, onde assisti ao ataque avassalador da epidemia sobre a própria essência da vida da nação, sobre minha família, meus amigos e experiências. Naquela época, no sul da África, era algo que não havia como não enxergar ou encontrar entre as pessoas que você conhecia. A experiência disso, o conhecimento de todo o custo humano e sociopolítico que acompanha essa epidemia particular, foi algo que me afetou, e eu quis dar voz a isso. Por isso, junto com uma colega de classe, criei uma peça de teatro sobre isso na faculdade [“In the Continuum“], em que tentei dar voz à experiência de mulheres com esse problema. Isso porque desde o primeiro momento o HIV e a Aids foi algo que afetou desproporcionalmente as mulheres e meninas, e muitas vezes o poder delas lhe é negado de qualquer maneira. O que sobra para elas é muita devastação.

Nessa época percorremos seis ou sete países com a peça e a encenamos muito extensamente nos Estados Unidos.

Você vai estar na África do Sul neste sábado para o Festival Cidadão Global sobre o Dia Mundial de Combate à Aids. Você vai estar muito envolvida com a campanha? [O evento foi realizado no dia 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta Contra a Aids]

O que é bacana é que já venho trabalhando muito com a conscientização. Quando me procuraram para trabalhar em cima desse problema novamente, eu tinha acabado de postar o boletim que publico mensalmente, intitulado Love Our Girls, e tinha destacado o Mothers2Mothers, também patrocinado pela Johnson & Johnson. Conheci esse pessoal quando eu estava encenando minha peça; é uma organização que realmente ajuda mães com esse problema – ajuda a erradicar a Aids e o HIV pediátricos, fazendo-o através da rede Mothers2Mothers network. É uma organização fantástica.

Sei que você também não pode falar muito sobre Vingadores, mas o diretor, Joe Russo, falou que gostaria que Okoye tivesse um papel maior. O que podemos esperar dela?

Não posso falar nada sobre isso… A não ser que o que temos como ponto de partida agora é o final do filme passado. Mas adoro Okoye e fico grata por poder representar uma mulher africana na situação dela, que ama seu país daquele jeito. Eu realmente me identifiquei com ela porque tenho paixão por meu país de origem, o Zimbábue, e pelo continente africano como um todo. A paixão de Okoye, o vínculo dela com seu povo e seu país, seu desejo de fazer o melhor por seu povo, de conservar uma lealdade e proteger o país, tudo isso é algo com que eu me identifiquei muito.

OK, então lá vai uma pergunta que você talvez possa responder: Okoye diz que quer um Starbucks em Wakanda. Qual seria o pedido dela?

Ela deve ser o tipo de mulher que curte chá verde, coisa que eu não sou.

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