Um debate (sincero) sobre as listas de presentes no Natal

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Fim de ano chegando, confraternizações a todo vapor e, com as diversas celebrações que acontecem nessa época, é chegado também o momento do famigerado encontro-para-trocar-presentes.

Me surpreende o quanto o toma-lá-da-cá dos amigos secretos tem se modernizado. Você sabia que agora, nos sites específicos para realizar o sorteio, é possível (pasme!) driblar o algoritmo e escolher quem você gostaria de presentear? E o mais importante: que você também pode escolher a pessoa que não quer tirar de jeito nenhum (tudo a troco de alguns reais pagos à plataforma, é claro)?

Nada contra amigos secretos. Na realidade, acho uma baita ideia. Isso significa que, em vez de hesitar sobre como presentear um grupo de mais de 10 pessoas, eu posso tranquilamente me contentar em presentear apenas uma, investir uma quantia equilibrada de dinheiro e me divertir durante o resto da festa.

Mas feito o sorteio, outra ferramenta específica me chamou a atenção: a lista de desejos online. Nunca tinha parado para analisar o que ela significava.

Estaríamos caminhando para o cenário em que o tão esperado presente de Natal se torna um compilado de links com produtos-desejos? O ato de presentear vai se tornar simplesmente um “toma aqui o que você pediu”? Basta clicar em “COMPRE AQUI!” e é isso? Onde foi parar a graça da surpresa? Da expectativa? Do inesperado?

Longe de mim querer fazer um abaixo-assinado-anti-listas de Natal. Mas se fui aquela criança que esperava ansiosamente pela noite cheia de maravilhas (desculpa, capitalismo, ainda prefiro muito mais a esbórnia da ceia à árvore lotada de caixas), me tornei exatamente a jovem adulta que fica ansiosa apenas por receber uma mensagem: “E aí, Amigo Secreto, já completou a sua lista de presentes?”

Ao tirar o embrulho do item selecionado, estará completo o ciclo dos recados. Aqui está algo mais ou menos útil, que eu consegui pensar de última hora para anunciar e que alguém me deu com o seu dinheiro só porque é dezembro.

Para mim, não se trata apenas de ser lembrado com algum item, mas é sobre a minha crença de que dar um bom presente a alguém requer algum raciocínio, uma boa dose de criatividade e um tanto de disposição em surpreender.

Não há nada mais legal do que presentear alguém com qualquer coisa que ela não necessariamente pediu ou precisava, mas que eu tive o cuidado de escolher especialmente para ela, e ser agradecido com um olhar genuíno de alegria.

Da mesma forma que dar ou receber presentes aleatórios, só porque aquilo te fez lembrar da pessoa, também acrescenta um toque especial à época.

Qualquer coisa menos que isso é apenas cumprir tabela. Zero magia na execução. Alocar o dinheiro (precioso) de todo mundo só para dizer que fizemos isso. E eu, sinceramente, prefiro um lanche.

Mas como eu não dito as regras do Natal, aqui estão alguns bons motivos para a defesa das listas de presentes.

– Não “desperdiçar” o presente. A pessoa pediu aquilo porque precisa daquilo – logo, não tem chance de ficar inutilizado.
– Receber algo que você não gostou e ter que trocar. E para isso, precisar enfrentar filas de lojas lotadas.
– Não correr o risco de constrangimentos. Você pode escolher algo que você considera super legal e receber um olhar de desdém ou desapontamento em troca.
– Nem sempre você conhece bem seu amigo secreto. Uma lista ajuda quando você não tem intimidade com a pessoa.
– Não ter chances de disparidade entre os presentes. Você escolhe um presente elaborado e recebe uma caneta em troca.
– E o principal deles: entender que a lista é só um “guia” e não precisa ser impositiva.

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