Indicado para Meio Ambiente diz que pauta ‘foi sequestrada pela esquerda’

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O advogado Ricardo de Aquino Salles foi escolhido para ser ministro do Meio Ambiente do futuro governo Jair Bolsonaro (PSL), conforme anúncio do presidente eleito no Twitter.

A nomeação de Salles é mais uma vitória da bancada ruralista. Nos últimos dias, entidades ligadas ao setor produtivo defenderam publicamente a indicação do advogado, que já atuou como Diretor Jurídico da SRB (Sociedade Rural Brasileira).

De acordo com textos publicados em seu blog pessoal na plataforma Medium, a visão de Salles para o Meio Ambiente tem como mote a frase de efeito “deixar o brasileiro trabalhar em paz”.

Para Salles, a pauta ambientalista “foi sequestrada pela esquerda no Brasil e no mundo”, e o agronegócio está “sob ameaça” no País.

Segundo ele, o produtor é abandonado ao “relento” e tem como seu primeiro inimigo o Estado. Ele faz críticas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e acusa o movimento social de ser responsável pelas “favelas rurais que brotam como ervas daninhas por todo interior do País”.

Critica, também, a medida “Segunda Sem Carne”, aprovada pela Assembleia Legislativa de São Paulo, a proibição de exportação de gado vivo e a limitação da caça ao javaporco.

Para o mais recente ministro, todas essas medidas são resultados da “demagogia de governos de esquerda” e resultam em “minorias que querem decidir o nosso jeito de comer, de vestir e de fazer negócio”.

Salles defende, ainda, a expansão de “patrulhas rurais” e a criação de delegacias especializadas como forma de combater a violência no campo. Para isso, afirma que a flexibilização do Estatuto do Desarmamento pode ajudar a tornar áreas rurais mais seguras.

Atuação no governo de SP e denúncias

Entre 2013 e 2014, Ricardo de Aquino Salles foi secretário particular do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). Dois anos depois, também atuou como secretário do Meio Ambiente do estado.

Na pasta, instituiu o programa Lixão Zero, que reduziu de 112 para 23 os lixões paulistas, e o Madeira Legal, que combateu o tráfico de madeira ilegal na região metropolitana.

Em setembro de 2018, o ministro nomeado foi denunciado pelo Ministério Público Estadual de São Paulo por improbidade administrativa e condenado a pagar multa de R$ 70 milhões.

Ele foi denunciado por suposta adulteração dos mapas de zonas de manejo da APA (Áreas de Proteção Ambiental) da Várzea do Rio Tietê, enquanto ocupava a pasta do Meio Ambiente.

De acordo com a investigação, o plano de zoneamento foi alterado como forma de flexibilizar determinadas áreas para a atuação da indústria, especialmente a da mineração.

Salles nega irregularidades e diz que as medidas tomadas para “corrigir” o plano de manejo da APA do Tietê eram “necessárias”.

Sou réu, mas não há decisão contra mim. São todas favoráveis a mim. Todas as testemunhas foram ouvidas, todas as provas produzidas e o processo está concluso para sentença, pode ser sentenciado a qualquer momento”, afirma Salles.

Defesa do conservadorismo

Desde 2006, Salles atua como fundador e presidente do Movimento Endireita Brasil (MEB), que tem como objetivo “chamar a atenção da sociedade para pautas como a redução da burocracia e o direito à propriedade privada.”

À frente do MEB, criou em 2007 o Dia da Liberdade de Impostos e foi um dos líderes dos movimentos que tomaram as ruas em 2013 contra o governo da então ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Nas últimas eleições, Ricardo de Aquino Salles disputou uma vaga para deputado federal de São Paulo pelo Novo, mas não foi eleito. Ele teve 36.603 votos.

Nas redes sociais, defendia propostas associadas à defesa da liberdade econômica, diminuição da intervenção do Estado e combate à corrupção.

Também classificou o “esquerdismo” como “doença” e afirmou ser necessário “tolerância zero” com a “cambada de maconheiro baba-ovo de bandido”.

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